O que queremos, de fato, é que as idéias voltem a ser perigosas

20.11.09

o bonde do tigrão vai anarquizar o bananão

Eu acho funk carioca o máximo.

Um bando de analfabetos funcionais miseráveis e sem o menor refinamento se junta, aprende a operar aparelhos até certo ponto sofisticados, apropria-se de peças da indústria cultural e avacalha com tudo, transformando-as em um batidão irresistível pontuado por letras que falam de suas próprias vidas. Cultura popular é isso aí.

Mais do que isso, estes jovens criam um mercado próprio para sua música, inventam festas que reforçam os laços comunitários — muito embora isso em geral envolva tomar posição contra outras comunidades — e criam um sistema de distribuição de renda e ascensão social próprio das favelas.

De acordo com reportagem da revista Carta Capital de 20 de abril (2005), por Pedro Alexandre Sanches, não são raros os funkeiros que faturam mais de R$ 10 mil por mês. Além disso, sua música tem um sistema de distribuição independente de fato, passando longe das grandes gravadoras e até mesmo dos impostos cobrados pelo governo.

Os intelectuais de plantão, quando poderiam enxergar no funk a manifestação de uma imensa criatividade que, bem canalizada, poderia gerar música popular de excelente qualidade, preferem desqualificar o estilo com base em padrões eruditos. É óbvio que o funk é ruim. Difícil é esperar de excluídos semi-analfabetos que façam música que siga alto padrão, com a qual nunca tiveram contato.

Critica-se também a "mensagem" do funk. Mas ora, não se passou décadas exigindo uma cultura verdadeiramente popular no Brasil? Pois aí está ela. As letras falam da vida daquelas pessoas: assassinato e tráfico no horário comercial, sexo e drogas à noite para relaxar. Talvez algumas personalidades mais delicadas sintam nojo ao ver a falta de perspectivas daquela juventude exposta assim, nuazinha.

Assim como se chocam ao escutar meninas pedindo para serem "atoladas no cuzinho" ou coisa que o valha. Acham que isso mostra a exploração sofrida pela mulher nas rudes vielas onde mora a escória. Estranho não passar pela cabeça da gente de bem que elas possam realmente gostar disso e, na verdade, estejam levando o feminismo a um ponto mais alto, mostrando que podem encarar o sexo de maneira tanto quanto ou ainda mais fisiológica do que os homens.

O principal, no entanto, é que eles parecem estar se divertindo. E muito. No fundo, toda a grita contra o funk pode ser preconceito contra o fato de pobres estarem se divertindo. Da direita — porque, audácia! A ralé não tem o direito de se divertir! — ou da esquerda — porque eles deviam estar sofrendo com suas condições de vida subumanas e preparando a revolução, ou ao menos rendendo material para o Sebastião Salgado.

Acho o funk carioca o máximo não tanto como estilo musical — embora admita curtir um pancadão bem pegado em certos momentos —; acho o máximo mais como instituição. O funk, minha gente, é o futuro do movimento social.


Por Ari Almeida e Marcelo Trässel
http://www.delinquente.blogger.com.br/

14.11.09

O tempo dos corajosos

-
-
-
o tempo corajoso
é aquele que não pode
ser comprado ou vendido

corre fora do mercado
da responsabilidade
do que é esperado

--exemplifico

são as horas
que assassino da faculdade
para ver meus amigos

são os minutos
que enforco no trabalho
para ler alguns livros

..
....
......
a vida pode ser mais
que esse vai e vem ordenado
desse jogo fingido
em que todos os dados
já foram jogados

.......
....
..
você até entende
mas não tem coragem
servir, é verdade
te traz alguma estabilidade

somos diferentes
eu transbordo a margem
se você é meio chuva
eu sou a tempestade

13.11.09

ó Ana, vem ver

salto no escuro

entre dentes trago a faca

e nos meus olhos coloridos

- juro -

ó Ana, vem ver
ó Ana, vem ver

o fogo no mar
os peixes a arder

(Dizem que um pirata chamado Fausto,
marinheiro a serviço de Dom Fernão de Mendes,
cantava esses versos
durante assaltos e tempestades.)

12.11.09

O pintor de batalhas (parte 1)

do alto dessa torre
escuto ao longe
sua voz desconhecida

ecoando no mar
através de um megafone
dizendo aos turistas

quem eu sou, meu nome
um pintor, conhecido

tentando captar
nessas cores nessa tela
a sensibilidade do homem
a essência de toda guerra

o que você sabe sobre mim
e o que eu sei sobre você

não é nada mais que espuma
se dissolvendo na areia

como sua voz distante
diminuindo
com o motor do barco
indo embora

5.11.09

Arte de andar

quase dois meses sem postar merece um registro
homenagem a paulo leminski seguida de um poema-andar-e-bar

"cinco bares
dez conhaques
ainda atravesso são paulo
dormindo dentro de um táxi"

(é algo assim)

20.8.09

banco do brasil [ou banco no brasil]

na fila do banco
todos só tinham olhos
praquela bunda

praquela bunda
todos queriam ser banco
caixa
fariam fila
para encaixar
[encaixotar]
na posição
a composição correta
as notas certas
contadas
de todo seu dinheiro suado


maldito mundo
onde tudo se compra e vende

o banco
a bunda
o olho
lugar na fila

pra quem não é capitalista
resta a aventura da conquista

(saiu e nem me olhou)

12.8.09

olhar

revendo algumas fotos
penso
que suas olheiras
são o charme dos meus olhos

3.8.09

realise with me

sonhei que quando acordei
você dormia sorrindo ao meu lado

não hesitei

quis ver você sorrir melhor
e então deslizei

com a boca quente
por entre suas pernas.

[tudo bem,
não foi um sonho]

[é um plano]

que do meu ponto de vista
e de lingua
seria completamente realizável
e realizador
tanto para você
quanto para nós dois]

29.7.09

refrão constante contemporâneo do meu exercício de vontade musical

eu não sou tímido

o que acontece

é que contigo

caminho tão devagar
(pra passar mais tempo)

pra que ninguém
(mesmo correndo)

saque nosso ritmo

e consiga nos alcançar

contra a sobriedade, a crítica ambulante

poetas fingidores
são falsos poetas

não são corajosos
pra assumir
que matariam por tesão
e que morreriam por amor

poetas fingidores
têm medo da polícia

e dormem cedo
para não chegarem
atrasados no trabalho

se poetas fingidores
nunca roubaram
prazeres efêmeros
de uma mulher sequer

tampouco ousarão
saquear e sitiar
para conquistar
um belo coração



((((longa vida aos pirates-true-love
para a prancha os poets finge-dor)))))

22.7.09

destinatário: (em branco)

no meio dessa pilha de livros
vou folheando vozes
que sobreviveram
através do tempo

disfarço, finjo que trabalho
que as classifico

me distraio

no fundo, o que mais faço
é conversar comigo

enquanto você está longe

(preparo)

descubro o que há de mais bonito na filosofia
esperando o dia

em que vou poder lhe contar quase tudo

...

palavras podem fazer
pequenos amantes
amarem-se sempre
bem mais que antes

2.7.09

Revisando

se eu sou quem eu sou
é porque faço o que faço

as responsabilidades que me cobram
não fazem parte do meu catálogo

eu bem poderia
ser um pouco mais centrado
se o que julgam importante
não fosse parte desse quadro

e nessa tela,
seus pincéis aparentemente corretos
têm pintado tudo errado

tintas coloridas
não pretendem colaborar
com um mundo cinza-engravatado

22.6.09

André Gorz - Carta a D.

Tive muitas dificuldades com o amor (ao qual Sartre dedicou umas trinta páginas de O Ser e O Nada), pois é impossível explicar filosoficamente por que amamos e queremos ser amados por determinada pessoa, excluindo todas as outras.

Na época, não procurei a resposta para tal questão na experiência que estava vivendo. Não descobri, como faço agora, qual era o alicerce do nosso amor. Nem que o fato de estar dolorosa e deliciosamente obcecado pela coincidência sempre prometida e evanescente do gosto que temos pelos nossos corpos

- quando digo corpo, não esqueço que "a alma é o corpo" tanto para Merleau-Ponty como para Sartre -,

nos remete a experiências fundadoras cujas raízes estão mergulhadas na infância: na descoberta primeira, originária, das emoções que uma voz, um cheiro, uma cor de pele, um jeito de se mover e de ser, que serão para sempre a norma ideal, têm ressonancia em mim. É isto: a paixão amorosa é um modo de entrar em ressonância com o outro, corpo e alma, e somente com ele ou com ela.

Estamos aquém e além da filosofia.





[Trecho da carta que André Gorz escreve a Dorine, sua companheira por quase sessenta anos. Essa carta precede o suicídio de ambos alguns meses depois, aos oitenta e poucos anos. Nenhum dos dois suportaria ver o outro partir, por isso resolveram abandonar a vida juntos.]

11.6.09

Office Boy

documentos financeiros
são salmos que necessitam ser saldados
em grandes templos bancários.

do contrário
você corre o risco
de ser identificado
como um herege
que não faz parte da seita
DEUS-TRABALHO-ESTADO

independence avenue

30horas p tentar construir um amor que se perde em
30minutos a pé.

eu não sei o que existe em você
a não ser
esse meu desejo confortável e
mal declarado

1.6.09

Focar na poesia [em construção]

espera só
eu descobrir um modo
de acordar mais na sua cama
sem ficar no seu pé

p'ra isso
vou andar
com a cabeça mais erguida
e focar minha poesia
................................................................................................[tanto a das palavras]
...........................................................................................[quanto a dos meus gestos,]
...................................................................................[dos jeitos e dos beijos]
na sua forma de me olhar.

assim,
posso tentar estudar

você e eu ; você em mim.

(p'ra sermos mestres,
precisamos

antes
se cursar
mais

p'ra depois
melhor
se formar.)

30.5.09

Exigência nº 2

tomara que você
não se assuste
mas se pergunte
como que lembro
do seu rosto

assim você pode entender,
quando eu começar
a lhe contar,
por que motivo eu sei

que já passamos,
ao mesmo tempo,
pelas mesmas ruas

e que já escutamos, também,
durante algum tempo,
as mesmas músicas.

enquanto você dançava
eu me lembrava
de você caminhando

agora quando você caminhar
talvez acabe vendo
você dançando

...

eu me ocupava com meus copos
você desconversava outros tontos

(do meu ponto de vista,
é claro)
...

enquanto você dançava
eu me lembrava
de você caminhando

agora quando você caminhar
talvez acabe vendo
você dançando

11.5.09

Devaneio sob nevoeiro

Depois de tudo que tem acontecido, checo se está tudo certo comigo no espelho. Deve estar tão frio aqui dentro que chega a sair fumaça do meu nariz. Na verdade, e só agora - com um cigarro aceso entre os dedos - percebo que a fumaça não tem nada a ver com diferença térmica e condensação. Foi apenas uma tragada esquecida no tempo durante aqueles segundos.

O tic-tac do relógio. O tic-tac. Tic-tac.
O nevoeiro que me fez pegar esta caneta não existe mais.
A névoa de ontem não será a mesma de hoje.
A História, como a neblina, só se repete como farsa.

Raios de Sol atravessam nuvens.
Há luz em tempos nublados.
Mesmo que sem o mesmo vigor
a luminosidade perfura tempos fechados.

Serei um desses raios
que na aparente escuridão da noite
ilumina a Lua.

23.4.09

A walk among the tombstones (Reagan Butcher)

contrabandeando poemas fora da prisão
nas solas dos meus sapatos
estou a caminho de encontrar a salvação
nos braços de uma mulher

eu olho pela minha janela e vejo
flores pegando fogo e exércitos passando
fome
mas quando olho para cima dentro do céu
à noite
eu vejo almas de heróis mortos

(traduzido por mim, no trabalho, subvertendo)

http://raeganbutchermedia.org/stonehotel.aspx

8.4.09

when you write through the window

when you write through this window
I know, for some reason, you like me


...I began writing verses
because of you
when I was a kid
[you will never]
[get rid of it]

when you write through this window
you say i'm a junkie

but i'm not junkie
enough
to die
[without] 
[touching your naked body]
[at least one time]
[in this crazy fool life]

(don't you think)
(you should wear)

(me)

(sometimes)

(inside?)

when you write through this window
I think about missing 
you again

miss 
universe

5.3.09

Aprova

é bem provável
que para você e sua alegria
isso não signifique grande coisa

mas fazia mais de um ano
que eu não beijava à luz do dia
nem sem ter tomado alguma coisa

os cigarros 
na sua janela 
definitivamente
têm outro gosto

é uma pena 
que tudo passe tão rápido
desrespeitando a serenidade 
das horas invisíveis
contidas
no relógio do seu microondas
que eu não sei ajustar

1.3.09

Gelo

o barulho do gelo
o gosto do gole
me tranquilizam de tal forma
que sinto
que não preciso dormir agora

se meu estômago pesa
e se a caneta mal desliza
não significa
que seja um problema

na verdade
sinto a solução
que tem escorrido pelo meu sangue
se diluindo em cada pedaço do meu corpo
e da minha vida

você pode olhar p'ra mim
e pensar
essa faculdade, esse emprego
essa existência fodida

"você poderia
ser muito melhor que isso"

mas eu já sou
é você que pisca o olho invertido
fechando para o que é preciso ser visto,
se deslumbrando 
com o que deveria ser combatido

Desculpem, mas estou escrevendo

é sempre meio fácil
se enturmar com álcool
conversar, contar a vida
em altas doses bizarras
o que torna-se difícil
é a situação
em que eu me encontro agora:
sentado, olhando esses corpinhos
a geladeira cheia de catuaba
e não conseguir dizer nada
nada do tipo

"invés de vocês dormirem
por a que a gente não bebe mais
se solta
e vê se rola?"

eu faria de vocês
as mulheres mais risonhas
e felizes do mundo
nem que fosse
só por uns minutos

ahaha

(ic)

13.2.09

nice girls and two joints - that's my point

como isso foi acontecer
eu não sei explicar
mas vou descrevendo
e me sentindo ótimo
sem ter que me esforçar
30minutos
segundo os especialistas
é o tempo que o thc
leva pra atingir o ápice
mas é o meu ponto alto
a minha aventura
que eu preciso contar:
o dia em que todos os caras pagariam
pra estar no meu lugar
"vem vem, me segue"
"hm, claro!"
ponto 1.
"hm, acho que tu é meio bixinha"
"aham"
ponto 2.
passam se alguns minutos
e me encontro
(e como me encontro)
[nos encontramos]
entre três bocas
provavelmente
as melhores da festa,
os lábios mais malucos.

elas sabem que podem
o que podem
comigo

porque beautiful girls
just wanna have fun

o inferno são os outros

mas nunca nos importamos,
importamos?

nunca.

contem sempre comigo
e quando for necessário
eu não conto nada
pra ninguém

embora tenha vazado
quando eu comi vocês duas
na ilha do mel
em 2001

19.12.08

Like you do, here's my marijane-english subtitles for you

smoke weed everyday
makes me forget
most of the words
that i'm supposed to say
at university
and at work

"grass is gonna blow
all your brains
and you will not be able
to remember
a lot of things'

but I know
that's a lie
that's a huge lie.

see...

did I forget you?

I could smoke
with all my brothers
all the pot of the world

and you would still
be here in my head

like I am
there on your back

and if you
really really
don't like this
anymore

you can
put some colors over me
you can paint a new tattoo
you know
that's what probably
you're gonna do

and I don't mind
my neurons don't mind

as some of them
go away
with the smoke
the strong ones
insists
to stay
keeping save

these colours
your kisses
our games
that nicknames
your bed...

but
do not think this is sad
or that i'm going mad

these memories
are true
and I know
that in a certain way
forever
I'll be in you.

(does your mom
lost her orkut password?
'cause I'm still there too!)

16.12.08

eu-no-espelho, geertz-no-livro e ela por aí (e por aqui)

fico me observando
no espelho
frequentemente
como se eu procurasse
alguma coisa
em meu rosto

que fosse explicar
o que eu sinto.

nunca
encontro
nada.

mas continuo procurando,
tentando descobrir
como eu agiria
se o reflexo
me mostrasse
alguma outra face...

não!
não se engane.
isso não tem a ver com beleza,
mas com imaginação:

...
...

quanto pode um rosto

proporcionar,

demarcar

uma existência?


("nascemos com um equipamento
para viver mil vidas,
mas terminamos
no fim
tendo vivido uma só")

sigo pensando
sigo me olhando

eu sei

você não está mais
diante desses olhos
diante dos meus olhos

mas a sensação
embora nada aconteça
é de que você permanecerá
sempre aqui atrás
dentro da minha cabeça.

23.11.08

saindo da festa

bem vindo
ao deserto do real

o que estava obscuro torna-se claro
com todas pessoas indo em direção
às suas vidas mediocres

a festa acabou,
mas o espetáculo transcende
porque a encenação do cotidiano
continua.

hey, you
eu só queria poder continuar
sem hora pra levantar
e gargalhar

porque tudo isso não passa
de uma piada de mal gosto
que estamos reproduzindo
há séculos
anos
dias
e noites

aaaa
maldição!
eu me demito

3.11.08

tenho que falar que

eu queria muito
escrever sobre você

sobre acordar tranquilo
e te ver

comentando essas bobagens
que aparecem na tv

olha,
o engraçado

é que eu não costumo
sorrir muito
quando me levanto.

eu sempre mais é fumo
mas nunca com tanto

sorriso dentro da boca

- vai ver você é meio louca

como eu

que me preocupei
em como te beijar
num domingo
depois de um sábado.

mas é que eu realmente
não sabia como fazer

e então fui fumando
cigarro atrás de cigarro:

(tomara que você entenda
que isso foi só o meu jeito
de ficar mais ao seu lado)

26.10.08

eu não sou poeta

eu não sou poeta

isso eu não inventei

assim como um dono de boteco
não é um capitalista
eu não sou poesia

porque regrar as idéias
para ser entendido
e discutido

me tornaria um idiota

desses que compreendem poesia
e não vivem seus próprios versos

No balcão

duas gostosas
à noroeste
cochichando

ou falam de mim
ou comentam alguma coisa
sobre essa chuva


obviamente
era a chuva

um babaca
escrevendo no celular
não tem nada

de atraente

"tchau gurias"

Carazinho 03:48

nascido no sóbrio
explodido no álcool
desenvolvido quando?

bebida de peso

sentado no bambus
conheço todos e não conheço ninguém

ao meu lado
uma gorda - quem!?
só pra variar...

MAS
agora
- ao menos na minha vida -
chega de grandes potências

22.10.08

a ilusão seguida da destruição de separar o inseparável

o natural e o cultural
o biológico e o construído
o dado e o adquirido

ordenar, classificar, julgar
e punir.

o outro causa estranhamento,
sempre causará,

(pelo menos enquanto não formos UM)

mas enquanto eu me deslumbro
eu posso ir mais fundo.

e se eu percebo um mundo (diferente)
é porque devo ser um imundo.

[a nossa sorte
é que não somos as mesma coisa.]

"antes um vagabundo iluminado
que um terno
para todos
bem cortado"

perceba:
somos todos esfarrapados
em posições diferentes

ou seja:
(só escrevo-sinto o que penso-faço
por menos cultura e menos censura)

posso não ter sido claro
[grande coisa]
sempre preferi o escuro



Para Rousseau ou A coisa tá russa

seu ilumista canastrão
vou te buscar até no inferno

esses papos de razão
também são religião!

do contrato social
só quero a recisão!

- você tem que interferir

em um canteiro verde
um cortador de grama
é um bom artefato pra demarcar
na estrada da ufrgs e no alabama
a presença e a estupidez 
da civilização 'humana'

rodas, matemáticas: sem(i)-perspectivas

sobre 12 ou 16 rodas
meu olhar acompanha a paisagem
que se move dos mesmos jeitos
pelo menos 3 vezes ao dia

as antigas 2 rodas da liberdade
estão murchas,
foram murchas,
pelo destino certo da rotina

evidentemente
a vista das minhas rodas
ainda é diferente

da paisagem sem perspectiva,
das rodas que rodam todo dia.

isso
só me leva a um pensamento:
se 2 é mais do que 12
por que me ensinaram tudo errado?

17.10.08

A modelo mais requisitada de porto alegre

A modelo mais requisitada de Porto Alegre
já passou pelas minhas mãos.

Isso é inacreditável.

Embora ela ainda não fosse
a mais requisitada,
eu não era, não sou
e nunca serei
modelo para nada.

De qualquer forma,
há tempo, à tarde,
pra compartilhar
uma antiga intimidade


(tempo)


por ser a mais requisitada
ela vai sair daqui
sempre melhor perfumada

e disfarçando

porque eu não sou,
não fui e nunca serei
nenhum modelo para nada.

(tu tu tu do telefone)
o que persiste, exatamente,
é isso, 'é este!",
esse é o meu nome.

27.8.08

pré-intenção: CONSU(a)MADA

não importa quantos medos e enganos,
você não me causará perdas e danos.

meu prazer não pode ter a ver
com nenhuma de suas palavras

porque aqui passaram-se anos
(dentro dessa cabeça).
talvez aí...não, não, não!
(DÊ um jeito, cresça!)

autoritários e chantagistas
não combinam
com poetas e anarquistas

porque com os segundos
o tempo é mais precioso:
há liberdade na ação.

e, incrivelmente,
isso é muito maior
do que toda essa sua
enorme pretensão!

14.8.08

cuspe filosófico

quanto do tempo perdido
eu ganho?
tanto arrependimento...
por que só hoje
estranho?

uns olhos
meus ossos,
tormento,
uma rotina,
minha retina?

preciso de uma ritalina
de um banho de piscina
e de uma mina (!)

haha
é sempre uma merda
escrever com rima (!)

3.8.08

Cia. 17 'till 4h

sabe,
eu não sei.

acho que esses versos
amadureceram aqui dentro
antes de saírem aqui fora

eu não sei,
sabe,
mas 'sisuda',
'notívago'

(...)

muito vinho,
tuas palavras
e teu sorriso
me surpreendem.

eu não sei
sabe
mas eis um poema diferente

29.7.08

Sento sem cinto sozinho

você já senta em dupla,
então não me faça perguntas!

ajo como eu quiser agir
e se isso incomoda
é só sair daqui

as suas imaginações
não correspondem
às minhas intenções

estamos aprendendo
e estamos felizes:
não preciso de suas direções
nem saber de suas crises

deixe que os outros falem
porque um dia eles caem,
eles sempre caem!

por isso
só me sinto na janela
onde sento e me penso
'ah! como passa o tempo!'

14.7.08

A maldição dos poetas

é a maldição dos extremos

em tudo
procuro significado
destruo
as coisas do presente
bem guardo
todo meu passado

a minha vontade
a minha liberdade
e as minhas crenças
são maiores do que deus

e por isso sou maldito
e serei desacreditado
por toda minha vida.

porque meus sonhos
são maiores que os vivos
e muito melhores
do que se acredita.


- Um brinde
às coisas escondidas!

12.7.08

constantemente me pergunto

se vale a pena lutar,
ou desistir desse mundo.

na vida, sempre confundo
os minutos com os segundos,
o caminho com a estrada,
o que é tudo e não é nada.

daí vou me destruindo.
de noite, saio sorrindo;
aí me lembro daquilo

pela manhã,
não sou tranqüilo.

sigo todos os desvios,
sigo todos meus amigos

porque se a vida é um castigo,
que haja algum prazer nisso.

11.7.08

drunk it

a diferença
entre estar sozinho
e namorar
é que sozinho
a gente faz tudo
bêbado bêbado bêbado
tipo sexo
e outras coisas
sem nexo

25.6.08

Investigation

há mistério na loucura
e há loucura no mistério

-doutor, mais um caso sério.
me parece homicidio.
facada... dois tiros:
aqui!
flagrante em adultério:

-quem era a mulher?
-poe aí:
uma qualquer.

o marido que era importante.

- como assim?
- um instante...

há loucura no mistério
e há mistério na loucura
(1a. parte.
quem sabe continua)

20.6.08

ghost-orchid

hoje em dia,
e naturalmente,
esse pseudômino
tornou-se uma farsa.

pensei em mudar
pr'algo agradável
ou que ao menos
tivesse graça

mas fake por farsa
no fim das contas
ele cumpre sua função:

me manter anônimo
a cada subversão.

porque existem,
sim, ainda existem

variadas normas,
formas de contenção.

mas não me preocupo
com a razão da supressão:
acredito no meu jeito.

sempre, o muro é burro.
e quando há repressão,
é porque há medo.

13.6.08

Os Príncipes de Charles Town

Em pleno dia dos namorados
Até no pior bordel
Permanecemos isolados

Essas malditas putas
Não suportam um cara sincero:

"Custa vinte cinco o keep cooler"
"Não tenho dinheiro, não quero!
Vai lá, vai e achaca um velho!

Sou universitário,
Pega um empresário!"

"Mas, meu bem
se tu não me pagar nada
vou ter que sair
pela casa sou obrigada..."

"Ah, deixa de ser coroa!"
"QUE? Agora eu sou coroa?"

"Digo, vamos jogar
cara ou coroa,
sabe... apostar...."

...

Em pleno dia dos namorados
Até no pior bordel
Permanecemos isolados

12.6.08

Love is in the air

Everywhere I look around

O amor está no ar.
E o ar está poluído
p'ra todos,
ou ausente.

Você vai ficar
meio doente

Porque, aos poucos
o ar que mantem a vida
a poucos,
traz a morte

Em toda sorte
de poluentes.

Alguns têm odor
como monóxido de carbono;

Outros, meu amor,
te roubam todo o sono.

Se houver chance (dance, dance)
Escolha o veneno (será etileno)
E respire fundo (foda-se o mundo!)

FODA-SE

8.6.08

São Valentin

leve em conta meu passado
e não aposte no futuro.

só nunca esqueça do meu presente

3.6.08

pshhhhhhhhhhhhhhh

a televisão é propaganda.

no jornal há publicidade.

e o resto são outdoors
que colorem toscamente
toda a minha cidade.

se você pegar um spray
e soltar algumas tintas,
disk153 e você vai preso.

porque "não é direito
'sujar' a propriedade alheia
ainda mais dessa maneira
tão pessoal e feia"

mas, meu amigo,
há muita diferença
entre um outdoor
e um pixo?

há poluição visual,
mas vender é marketing
e pixar é crime.

você só pode avacalhar
com a vida e com o modo de pensar
e de fazer acreditar
e incentivar a comprar
(o que você não vai precisar)
quando você puder pagar.

o estado sempre protegeu e protegerá os ricos:
não há nenhuma grande questão filosófica nisso
a não ser acabar com tudo isso.

27.5.08

solidão.

nunca me fiz tanta companhia
como tenho me feito
nesses últimos dias

mas um acompanhante
geralmente conversa
e não é tão semelhante

como eu sou comigo mesmo.

meus pensamentos não têm som:
ecoam acima dos meus olhos.
apesar de ser pior que bom
não é sempre muito ruim.

porque nada tenho a dizer pra mim:

minha visão substitui as palavras
de forma que não preciso dizer nada

o problema que se dá é o conflito
quando vejo diferente do que sinto

sinto, imagino, sonho, deliro
vejo, acabo, me mato, suspiro

26.5.08

For the weak ones

onde reside
minha sobrevontade
de sobreviver,
se a cada dia,
junto com as horas,
vêm as derrotas?

é possível
que sejam maiores
e mais gostosas
algumas poucas
(e ralas) vitórias?

talvez...

há um tipo de acuçar
que luta e contamina
os sacos de amargura
que compõem minha vida:

prazer.

é necessário viver para ver
e sentir

que há muitas coisas a se fazer
e a destruir.

25.5.08

greve de arte

houve uma época
em que me preocupava
escrever bem.

aquela coisa de querer ser genial
esperto, original...

eu tinha que ser bom e preciso;
as minhas palavras tinham que ser precisas.

hoje eu-preciso
mas não pra isso.

preciso descobrir quem eu sou
e pra isso
não preciso ser preciso.

saca?
claro
que saco!

DDD

sentei na cama
e fiquei esperando
o telefone tocar.

quem sabe um engano,
um interurbano,
alguém que eu amo

e ainda não conheci.

'Não.'

então olhei para fora,
e pensei na hora
'é o carteiro agora!'

'Não. '

era só um idiota de amarelo
com uma bolsa estupidamente grande
e provavelmente sem cartas.

que raiva!

se eu pudesse pagar, quebrava tudo.
só não quebro nada porque não posso

MESMO!

18.5.08

!

escrever é resistir ao desconforto
causado por tudo que não vale nada.

13.5.08

há um pequeno problema

(...)

isso me caiu tão estranho,
me pegou tão desprevenido,
que nada que eu escrevo
soa bem no meu ouvido.

me custa sair o que quero
não sei se por orgulho,
falta de certeza,
ou porque desprezo

e não compreendo
a minha situação.

porque entre mim e eu,
nessa confusa relação

há muitas reticências,
conflitos de consciência,
egos, charmes, carências
e ausência de carícias.

ah, como essas me faltam!
de todos os tipos!
do sexo ao puxa-saquismo!

ah, digam que me amam!
e não me pensem louco
por ser meu único admirador
por mais um pouco!

12.5.08

adjetive-noun: - inconsequence et double-sense



11.5.08

Uma carta extraordinária.

Meu querido amigo, peço-lhe total compreensão ao ler esses escritos.
Leia devagar e tente relevar se algo lhe parecer estranho de mais, mas por favor, confie nas minhas palavras: cada vez mais elas são tudo o que tenho.

Aconteceu há alguns dias: quando deitei e fechei os olhos, um súbito mal estar se apoderou de todo o meu ser. De tal forma, que mal pude me mover por alguns segundos, até que, com muito esforço, consegui direcionar minha visão para à direita.
Ali, ao meu lado, havia uma criatura estranha, como um homenzinho pequeno e disforme. Rapidamente - quando cruzamos os olhares -, e com uma habilidade inacreditável, desapareceu dentro do meu violão.
Levantei aterrorizado, tropecei nos lençóis e acabei por derrubar o instrumento.
Não havia jeito de não sentir o horror que novamente me paralisara.
O que faria? Deveria revirar o violão, tapar a câmara acústica, na intenção de aprisioná-lo? Talvez, mas nada disso minha coragem permitiu.
Então, assim que retomei um pouco da consciência, abri a janela e deixei o cômodo em passos fortes - na esperança de que meu afastamento fosse ouvido.

No relógio da cozinha, cheia das sombras da madrugada, já se acusava quatro menos vinte.
Algo entre dez e quinze minutos separava o encontro anterior do momento em que decidi retornar ao quarto. Mais uma vez, levei as pernas em passos barulhentos, como quem alerta 'estou voltando e já não possuo medo, fuja antes que seja tarde'.
O som forte dos passos davam-me a segurança necessária para não ouvir qualquer outro ruído que não fosse produzido por mim e isso mantinha em níveis pouco abaixo do razoável a minha lucidez.

No quarto, não havia mais nada. Tentei adormecer, mas essa experiência havia me afetado de tal forma (desenhando-me olheiras, escuras molduras em meus olhos desencontrados) , que não pude fazer nada, a não ser tentar relatar o ocorrido aos que me cercam. Nessa empreitada, o sono me abandonou.

Já se passaram três dias e quatro noites
e ninguém ainda acreditou na minha história.

Abraços esperançosos.

curta

aqui vou pensando em outra
porque não penso mais nela
ma che garantia, che diabos!
talvez outra cadela!

6.5.08

minha vó faz poesia falando sozinha

a minha vida é um trocar de óculos.
deixa eu ver...
1, 2, 3....
4!
5!
meu deus!
que loucura!
ah se eu pudesse operar meus olhos!

5.5.08

terrorismo

um sentimento asqueroso
se apodera das minhas lembranças
tornando meu corpo sujo.

meu sangue corre viscoso
porque há muita esperança
carregada nas hemáceas que uso.

esperança de que estas células
não sejam as mesmas que constituiam
meu ser durante aquele abuso

(...)

assim, meus pensamentos vão perdidos
como meses em um relógio quebrado.

Meus amigos, sejam bem vindos
ao show de horrores do passado.

1.5.08

mudando de assunto...

olha, eu bem sei
que vocês não merecem
essas palavras àsperas.

mas eu não aguento mais
ouvir essas bobagens.

cuidem da suas vidas
que a minha
não necessita de cuidados

é isso mesmo:

eu rejeito todos os seus cuidados,
suas preocupações

e suas não compreensões
acerca do meu ser.

meu estado de espírito é assim,
sem estado.

então não me venham
com essas leis,
com essa moral.

serei sempre ilegal

mesmo que pra isso
eu tenha que mudar
ou fugir de casa
todos os dias.

30.4.08

Lembro

quantas vezes prometemos ficar juntos à qualquer custo, agisse quem agisse e houvesse o que houvesse. já nem posso mais saber se eu sentia medo sozinho, quando deitado, a gente conversava sobre envelhecer together e sobre o que um de nós acabaria fazendo sem o outro.

jurei meu amor por ti todos os dias: pros meus amigos, pros deuses e até pro diabo, quando te convidei pra fazer parte da minha vida em um dia 666 (06/06/2006).

joguei sempre do melhor jeito que pude, e é claro que às vezes fui rude, mas só porque quis construir um mundo diferente pra gente. hoje, ainda gosto de lembrar e de acreditar que ele existiu como uma T.A.Z. no teu quarto, onde tudo deixava de ser sufocante e pesado.

o que eu poderia fazer sem você?
passou pela minha cabeça
"não, não te perder,
que isso nunca aconteça!"

mas aconteceu.

e como foi duro perceber nos teus olhos que o sexo era igual e que os programas eram sempre os mesmos, enquanto, de um jeito muito estranho, tu me falava sobre independência e amadurecimento.

e agora o que faríamos sem o outro?

nos tornamos outros, e me acostumei a te ver com outros;
com outros olhos e com outras pessoas.
aparentamos ser tão desconhecidos que também já não sei se não sinto vontade ou não me sinto à vontade pra te reconhecer e te beijar o rosto.
e assim as coisas inteiras ficam pela metade.

metade de mim,
a que tantas vezes gritou pra te fazer entender que tu era única, minha única tentativa de relacionamento sério - porque se o nosso amor não desse certo, eu nunca poderia acreditar em mais nada -, segue a promessa de te proteger pra sempre, mesmo que seja em pensamento, ou em cada poesia de merda que eu faço.

a outra metade
precisa desfazer a promessa, apagar a memória e acreditar que existe alguém que possa seguir comigo, uma companhia pro infinito: há de existir. há de existir alguém que me traga de volta a ilusão de que o mundo não é assim tão falso;
alguém que me mostre algo verdadeiro e que, ainda assim, possa me imitar e trazer de volta pro meu rosto algum sorriso sóbrio, alguma felicidade que exista de graça e fora das garrafas.

pra terminar, lembra que os carros e a tecnologia que fazem parte do mal do nosso século.
eu só sou as vezes triste, um pouco engraçado, e não faço parte de nenhum movimento literário.
por isso não sou do mal, na verdade até acho que sou do bem e bem bom.

27.4.08

Virtual mente

me ponho em teu lugar:
acabar com um amor
deve ser difícil.

pensando no calor
continuo a enganar:
meu único artifício.

artifício sem fogos
e sem todos os jogos
que eu sempre amei perder

get out

na radicalização do poema
as palavras imploram pra fugir
e se libertar de mim.

então,
que seja isso
tudo isso
qualquer coisa sem ritmo
com a espontaneidade
do anarquismo

sem rima e sem erudição
a poesia não tem distintivo
e pra jogar com aumentativo
rola até palavrão

mas só se eu curtisse rimar com ão
ahahaha
e isso NUNCA,
NÃO!

21.4.08

Morte

Você entrou por essa porta
querendo me atirar pela janela

Depois trouxe aquela faca
convencendo-me de uma morte bela

Não! Eu ainda não vou com você.
Eu não posso e não te amo...

Mas espera eu me formar
quem sabe lançar um livro
ou enjoar de trepar

Aí sim eu posso ir!
Porque eu vou

Um dia todo mundo vai
Só não me deixa ser pai

porque já pensou
se esse desgosto é hereditário?

dia sim dia não

no fundo, existem os dias.
os dias em que tudo vale a pena.
os dias em que nada faz sentido.

os que passam rápido
como esses malditos carros
os como os moinhos:
lentos e sempre atentos

às dores, às idéias e ao pensamento
fixo, sem vontade, sem fome
e sem assunto
deito, levanto e sento.

me sento e me sinto
ridículo, idiota e sem crivos:
um defunto
incrivelmente
menos morto que todos os vivos.

15.4.08

Sessão Espiríta

Enquanto pelo outro lado da porta
pela saúde pela felicidade e pelo sucesso
Meu vô os espíritos evoca,

abro a janela e pego um incenso,
abro a mochila e um cigarro acendo.

...

Se deus
em sua onisciência
me vê
e me reprova

o diabo
como você,
me admira
e me adora

14.4.08

para você, não pára você, não pára!!!

como essas visões de lsd,
eu poderia às vezes te ter

forte como aquele doce,
se alucinógeno eu fosse.

te vendo;
não te compro.

não caso,
nem digo saudade.

mas seria um perfeito acaso
te encontrar na minha cidade.

ou aqui no meu meio...

quem sabe meu quarto
ficaria mais inteiro.

8.4.08

contrato pessoal

na primeira cláusula do meu contrato
consta no primeiro artigo
parar de agir como um rato

na segunda, deixar de entender errado
a vontade de ser amigo
de quem só mudou de lado

perdoar traz à tona a memória
e a enorme ilusão dos vencedores

pra reconstruir melhor a história
repouse a atenção nos perdedores

Portanto
já que eu não passo
desse grande fracasso
minha assinatura
segue aqui embaixo

________________
(de todos os derrotados,
o mais incorformado.)

artificial

um dia, as minhas palavras
terão a força de uma correnteza
e o poder de um furacão.

não haverá muita beleza,
talvez um pouco de tristeza,
mas nenhuma grande ilusão.

quando vir esse tempo
tudo o que eu aparento
poderá mostrar que 'não',

que nenhum tecido,
seja grosso ou seja fino,
será costurado de qualquer jeito
só para cobrir o peito

onde morre um coração
.

4.4.08

Esta noite

Esta noite vou me entupir de drogas
pra ver se consigo pensar melhor

à respeito dessas palavras e meus medos;
dos teus seios e meus dedos

31.3.08

À Deus as armas

drinks, palavras e meretrizes. bike, cigarros e cicatrizes. passaram os carros. passaram as àrvores. passaram as pessoas. passaram os medos.

mas, em algum lugar, não passou um passado; que foi passado pelo presente de um jeito estranho, meio indiferente.

contudo, lá atrás ficou um quadro. é verdade, meio sujo, meio nublado - como sempre é o passado...
"quando começou a dar errado?"

com essa resposta no pincel daria pra tirar as tintas sujas, os rostos borrados e a paisagem cinzenta de um vazio cheio de histórias.

acontece que eu não sei retocar quem me tocou em todos os sentidos do verbo.

ficam a sujeira e a cegueira
que me impedem
de olhar para o quadro,
pára o passado,
para'trás.

....

justamente,
esse presente
só quer paz.

18.3.08

Simple ass you

tá certo
você tem todo o direito
de achar,
já que tudo é do seu jeito,
que ainda por você
há alguma dor nesse corpo

mas convenhamos
não morri
ainda não estou morto
se sofri
foi por mim, por sempre absorto
cometer o mesmo erro

o maldito erro do belo
porque como o cego
insisti em contemplar a superfície
as curvas, a planície
e esqueci de toda geografia humana
emburrecendo em sua cama

mas é verdade,
também não sou de mentir;
aquilo me doeu como um tiro,
mas hoje, sem sentí-lo,
te agradeço e me retiro

sem lira dos vinte anos
nem saudade daqueles planos



rima rica

te escrevo sóbrio
em clima de velório.

grande merda
sair por aí
à procura da rima certa.

mas ela ainda existe
e resiste!

consiste
em rimar
adjetivos com verbos
substantivos e advérbios

a mistura fica suja:
acendo um cigarro
e, de novo,
aquela sua blusa.

(...) !

foda-se a rima rica
e as ex-certezas
de toda minha vida

ainda há cervejas
conhaque
e muitas outras bebidas

a serem bebidas

4.3.08

waking notes

'fuck is a lie',
they say
'love is for life'.

then i'd rather die
when i'm thirty five.

starting with those cigarretes
ending with these lies
lying in their beds
wishing you for times.

but now the game is over
when I wake up and see these bottles.

this eternal hangover
always reminds me 'never trust models'.

G.O. - 04.03.2008

28.2.08

Poemas dispersos



de todas as burradas,
até essa página foi arrancada....

Minha cara,

Minha cara,

Tenho mudado de rotina completamente,
Acordando numa realidade sempre diferente
porque desde que você se foi eu tenho me ido também.
Mas vou caminhando, acertando o passo; além.

As caminhadas acertam as palavras da minha cabeça:
os verbos, as frases, tudo insiste pra que eu cresça.
A pontuação não vai mais ser o ritmo do tempo:
agora só me serve no final, ponto morto, lento.

Aprendi e espero continuar aprendendo
Compreendi, mas juro que não entendo

Por isso quero muito que hoje você saiba:
Fomos muito mais sorrisos que essa raiva.

G.O. , 28.01.2008